‘Menina para ficar, menina para namorar’: um texto com sangue nos zóio

Sangue nos zóio. Minha amiga e mestra nas coisas do feminismo Bia Abramo acaba de me mandar um texto. Sangue nos zóio. Ele tem o seguinte título: “meninas para ficar e meninas para namorar”. E, MUITO SANGUE NOS ZÓIO, ele foi escrito por UM MENINO, na revista Capricho, como se sabe, uma publicação dedicada a adolescentes. Sangue nos zóio. Vivemos em uma sociedade onde uma revista para crianças ainda se arvora a colocar um menino falando O QUE ELE QUER para ensinar meninas a agradar o homem. E, SANGUE NOS ZÓIO, esse menino sai dividindo menina para ficar e menina para namorar.

Pára tudo que eu vou ali na rua dar um grito e já volto.  Essa divisão data da era das cavernas, de quando eu era adolescente nos anos 80. Tinha aquelas meninas da escola que davam e as que não davam. Eu não dava. Eu era bem comportada. Na real, eu era bem REPRIMIDA.

Aí, aqui estamos, julho de 2013. O moleque manda. A menina obedece. Se é para namorar, você tem que ser uma garota que não tenta mudar o cara, porque, senão, claro, ele não vai gostar. Isso é meio bad, né, escreve o moleque. E também uma menina que vá sempre elogiá-lo porque, sabe como é, homem tem aquele ego frágil. Tudo que ele faz a gente tem que achar o máximo. Senão o pobrezinho magoa. Tadinho.

A menina para ficar, segundo o adolescente guru machista, é aquela que fica com vários caras na mesma noite. A PORRA DA BOCETA É MINHA, grita Tati Quebra Barraco, a musa que vem me inspirando desde ontem. E, de novo, volto para os anos 80. Os meninos pegavam um monte. As meninas se comportavam.

Mas a parte mais sangue nos zóio ainda não chegou. E respire fundo. 1, 2, 3. O tal fedelho diz que existe um tipo de menina que não é nem para ficar nem para namorar. Ela é aquela que é vulgar demais. Sim, está escrito isso, VULGAR. Vulgar não na roupa, pelo contrário, ele adora uma menina de vestido curto ( e a vontade é falar: QUEM TE PERGUTOU, SEU MOLEQUE?). Mas vulgar nas atitudes, seja lá o que isso significa.

Vulgar mesmo. Ou estúpido. Ridiculo. Patético e nocivo (sim, é nocivo) é uma revista convidar um menino em julho de 2013 para dizer como as meninas devem ou não se comportar para conseguir esse prêmio, um filhote de macho. E deixar que o menino pregue para as garotas MUITO NOVAS aquela divisão que a gente vem tentando quebrar há anos. Milênios.

Conselho para o menino que escreveu o texto da revista e para alguma adolescente que por acaso ler esse blog: “Menino para não namorar: menino que divide menina entre menina para ficar e menina para namorar. Esse também não é um menino nem para ficar. E nem para ser amigo. Ce vai querer andar com alguém assim?”

O garoto é jovem e ainda pode aprender. Oremos. Mas uma revista publicar uma coisa dessas em 2013 não tem desculpa, não. SANGUE NOS ZÓIO. Muito SANGUE NOS ZÓIO!